domingo, 31 de julho de 2011

Aves Apterygiformes, Casuariiformes, Struthioniformes e Tinamiformes


Algumas aves não voadoras

Apterygiformes

Kiwi ou Kuivi



Apterygidae é uma família de aves endêmica da Nova Zelândia, possui apenas um gênero, o Apteryx, e são popularmente chamados de quivi. O quivi não voa, tem hábitos noturnos e vive em um buraco no solo. É uma família ameaçada. Esta ave é a menor das ratitas vivas, as aves não voadoras e não nadadoras, como o quivi, as emas e as avestruzes, mas a sua origem é ainda incerta. Antes da chegada dos humanos em 1.300 d.C., não existiam mamíferos na Nova Zelândia (com exceção de 3 espécies de morcegos), e a ilha estava cheia de pássaros e répteis.

O quivi tem o tamanho aproximado de uma galinha, tem a plumagem do corpo fofa, semelhante a pêlos, bico longo e delgado com narinas na extremidade, pés com garra fortes, com 4 artelhos, asas atrofiadas. São aves com hábitos noturnos, por isso poucas pessoas conseguem vê-lo durante o dia.
Usam o olfato em busca de alimento. São onívoros, alimentado-se de frutas, sementes, pequenos vermes e larvas de insetos.

Kiwi-Marrom-da-Ilha-do-Norte


Kiwi-Marrom-da-Ilha-do-Sul


Casuariiformes 


Casuar

O casuar (Casuarius spp.) é uma ave do grupo de aves ratitas de grande porte, nativas do nordeste da Austrália, Nova Guiné e ilhas circundantes.
As três espécies de casuar pertencem à família Casuariidae e são, com a avestruz e a Ema, as maiores aves existentes na atualidade. O habitat preferencial do casuar são zonas de floresta tropical, onde haja um grande número de árvores disponíveis para produzir os frutos de que se alimentam. Neste ambiente o casuar desempenha a importante função ecológica de dispersar as sementes das árvores. O casuar é uma figura importante na mitologia das populações nativas da Oceania e representa geralmente uma figura maternal.
A plumagem do casuar é abundante e de cor acinzentada, com penas coloridas na base do pescoço. Estas aves têm uma crista encarnada no alto da cabeça, que cresce devagar durante os primeiros anos do animal e com função desconhecida. O grupo não tem dimorfismo sexual significativo, sendo as fêmeas apenas um pouco maiores e mais coloridas. Uma característica distintiva é a presença de uma garra em forma de punhal presente no dedo interno. Como nos outros strutioniformes, o casuar tem as asas atrofiadas e três dedos em cada pata.
O casuar é uma ave ágil, que pode correr a cerca de 50 km/h e saltar 1,5 m sem qualquer balanço. São animais normalmente pacatos e tímidos que no entanto podem ser extremamente agressivos e perigosos para o Homem para proteger o ninho ou as suas crias.
Na época de reprodução os machos reclamam um território e procuram atrair uma fêmea, que permanece apenas, até pôr entre de 3 a 5 ovos. Após a postura a fêmea abandona o ninho e pode eventualmente acasalar noutro território. Os machos cuidam sozinhos dos ninhos e das crias durante os nove meses seguintes. Os juvenis são de cor acastanhada e só ganham a plumagem típica do adulto por volta dos três anos.
O casuar é uma ave importante para o Homem há centenas de anos como fonte de proteína através da carne e dos ovos. Algumas tribos da Nova Guiné têm o hábito de assaltar os ninhos e criar os juvenis até à idade adulta, quando são vendidos ou mortos para consumo local; no entanto o casuar nunca foi completamente domesticado. As penas coloridas são também uma fonte de interesse e o motivo pelo qual no passado os colonos europeus caçaram abundantemente este animal. Atualmente, as três espécies de casuar estão ameaçadas pela destruição de habitat e encontram-se protegidas por lei. É uma das aves mais perigosas para o Homem, pois sua patada pode equivaler a mesma força de um pequeno punhal, podendo até decepar um membro.
As várias espécies de casuar são abundantes no registro fóssil do Plio-Plistocénico australiano e pensa-se terem evoluído a partir dos emus algures no Miocénico.




Emu

O Emu (Dromaius novaehollandiae, "Corredor da Nova Holanda" em Latim) é o maior pássaro nativo da Austrália e, depois do Avestruz, a segunda maior ave que vive hoje.
Ele habita a maioria das áreas menos povoadas do continente, evitando apenas a floresta densa e o deserto severo. Como todas as aves do grupo das Ratites, ele não pode voar, embora diferente de alguns ele tem pequenas asas escondidas sob as penas.
Emus são aves marrons, de penas macias, que alcançam de 1.5 a 2 metros de altura e pesam até 60 kg, com o macho marginalmente menor.
São nômades oportunistas e seguem a chuva, se alimentando de grãos, flores, frutas, insetos e o que mais for disponível. Eles são capazes de viajar grandes distâncias em um trote rápido e econômico e que, se for necessário, pode correr a 50 km/h.




Struthioniformes 



Avestruz

O avestruz (em Portugal, a avestruz) é uma ave não voadora, originária da África, que leva o nome científico Struthio camelus. É a única espécie viva da família Struthionidae, do gênero, Struthio, e da ordem das Struthioniformes.
Avestruzes são considerados a maior espécie viva das Aves e seu nome científico vem do grego para "camelo pardo".
Avestruzes normalmente pesam de 90 a 130 kg, embora alguns avestruzes machos tenham sido registrados com pesos de até 155 kg. Na maturidade sexual (entre 2 e 4 anos de idade), avestruzes machos podem possuir de 1,8 m a 2,7 m de altura, enquanto as fêmeas alcançam de 1,7 m a 2 m. Durante o primeiro ano de vida crescem cerca de 25 cm por mês. Em um ano um avestruz pesa cerca de 45 kg.
Possui dimorfismo sexual: nos adultos, o macho tem plumagem preta e as pontas das asas são brancas, enquanto que a fêmea é cinza. O dimorfismo só se apresenta com um ano e meio de idade.
As pequenas asas vestigiais são usadas por machos como exibição para fins de acasalamento.
As penas são macias e servem como isolante térmico e são bastante diferentes das penas rígidas de pássaros voadores. Possui duas garras em dois dos dedos das asas, sendo a única ave que possui apenas 2 dedos em cada pata. As pernas fortes do avestruz não possuem penas. Suas patas têm dois dedos, sendo que apenas um tem unha enquanto o maior lembra um casco. Seu aparelho digestivo é semelhante ao dos ruminantes e seus olhos, com suas grossas sobrancelhas negras, são os maiores olhos das aves terrestres.




Rheiformes


Ema

A ema, também chamada de nandu ou nhandu (Rhea americana), é uma ave da família Rheidae, cujo habitat se restringe à América do Sul. Tem a peculiaridade de serem os indivíduos masculinos os responsáveis pela incubação e o cuidado com os filhotes.
É considerada a maior ave brasileira. Apesar de possuir grandes asas, não voa. Usa as asas para se equilibrar e mudar de direção na corrida.
A ema é a maior e mais pesada ave do continente americano. Um macho adulto pode atingir 1,70 m de comprimento e pesar até 36 kg. A envergadura pode atingir 1,50 m de comprimento
Apresentam plumagem do dorso marrom-acinzentada, com a parte inferior mais clara. O macho distingue-se por ter a base do pescoço, parte do peito e parte anterior do dorso negros. Difere do avestruz por não apresentarem cauda e pigóstilo. Também não possuem glândula uropigiana. Ao contrário das demais aves, há separação das fezes e da urina na cloaca; os machos adultos possuem um grande pênis.
Possuem pernas fortes e pés providos de três dedos.




Nandu-de-Darwin

O nandu-de-darwin (Rhea pennata ou Pterocnemia pennata) é um parente menor da ema que se distingue facilmente desta pelas manchas brancas apresentadas no dorso.
Ocorre nas zonas altas (3500 a 4500 metros de altitude) e semi-áridas a sul do Peru e nas florestas e estepes da América do Sul.
O nandu-de-darwin bica sua comida do chão enquanto caminha vagarosamente de cabeça baixa. É habitual juntarem-se aos lamas que pastam por ali. O período de acasalamento dá-se entre setembro e janeiro.
Segundo a taxonomia de Sibley-Ahlquist, esta espécie pertence ao gênero Rhea, juntamente com as emas.


Tinamiformes

Macuco

O macuco (Tinamus solitarius; do latim solitarius, "sozinho", "solitário") é uma ave de grande porte da família dos Tinamidae. Tais aves chegam a medir até 48 cm de comprimento, com o dorso pardo-azeitonado e ventre cinza-claro. Atualmente, a subespécie Tinamus solitarius pernambucensis, do Nordeste brasileiro, foi considerada oficialmente inválida.
É o maior representante dos tinamídeos na Mata Atlântica. Atinge até 52 cm do comprimento, com peso dos machos variando entre 1,2-1,5 kg, e das fêmeas entre 1,3-1,8 kg.
Possui coloração acinzentada com matiz verde-oliva, e desenho críptico nas penas traseiras (rectrizes).
Alimenta-se de sementes, bagas, frutas e artrópodes. Sempre próximo a pequenos riachos ou nascentes.


Azulona

A azulona (Tinamus tao) é uma ave cinegética encontrada na Amazônia brasileira e na bacia do Alto Paraguai, exclusivamente em áreas da mata-de-terra-firme. Sua coloração é de tom cinza-ardósia.Mede 52 cm e cerca de 1,9 kg ou mais. Em observações de campo conduzidas pelo ornitólogo José Carlos Reis de Magalhães, encontrou a relação de sexos de dois machos para cada fêmea, que a postura era, sempre, de três ovos e as fêmeas acasalam duas vezes na estação, com dois machos diferentes e consecutivos. A estratégia reprodutiva da Azulona indica que a espécie tem estado sujeita a fortes pressões predatórias, tendo assim caminhado, evolutivamente, para a solução de reduzir a postura para três ovos e fazer duas posturas por ano, reduzindo riscos. Uma peculiaridade sobre os ovos da Azulona está no fato de serem quase perfeitamente esféricos, em nada oblongos, como os de Tinamus solitarius, porém idênticos na coloração verde-azulada.
As estreitas afinidades entre o Macuco e a Azulona sempre foram objeto das cogitações dos sistemas que os estudaram. As diferenças entre eles estão, praticamente, no colorido, já que, morfologicamente, são idênticos. Apenas no peso, nossos dados acusam pequena vantagem para a azulona. É provável que macuco e azulona venham de um ancestral comum e que, por razões climáticas, foram separados pela ocorrência de soluções de continuidade entre as áreas florestadas da Amazônia e do Sudeste (Mata Atlântica). Mantiveram muita coisa em comum, como a voz, igualmente eficiente para ambas, nos biótipos semelhantes em que remanesceram. A azulona apresenta subespécies ou raças geográficas, ao longo de suas áreas de ocorrência, onde divide o habitat com outros representantes do gênero Tinamus, como o Inhambu-galinha (Tinamus guttatus) e o Inhambu-açu (Tinamus major), este encontrado na mata-de várzea.

Ficheiro:Tao001.jpg

Inhambu-Açu

O Macuco-do-pantanal ou Inhambu-açu (Tinamus major), em inglês Great tinamou, é uma ave tinamiforme florestal, terrícola, também conhecida como macuco-do-cocuruto-vermelho, macuco-do-igapó e macuco-de-topete, que vive em regiões demata-de-várzea no Norte e Centro-Oeste do Brasil. Essa espécie e suas subespécies ocupam vasta distribuição geográfica, abrangendo as Américas do Sul e Central, até o México.

É ave cinegética. Muito arisca e cuja plumagem apresenta excelente coloração de camuflagem. Na região Norte do Brasil, divide seu hábitat com outras espécies do gênero Tinamus, como a azulona (Tinamus tao) e o macuquinho ou Inhambu-galinha (Tinamus guttatus), o menor representante do gênero. Sendo maior ocorrência nessa região, a subespécie Tinamus major olivascens.

Ficheiro:Tinamus majorPCSL00504B.jpg

Inhambu-Galinha

O inhambu-galinha ou macuquinho (Tinamus guttatus) é uma espécie da floresta tropical, e o menor representante do gênero Tinamus, medindo entre 32 e 36 cm.
Tem ocorrência tipicamente amazônica no Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela. No Brasil ocorre também em parte do Estado do Maranhão. É espécie cinegética. Habita a floresta de terra firme, bem como a mata de várzea. Alimenta-se de sementes, frutas e invertebrados. Na época das enchentes na Amazônia, são comumente capturados como alimento pela população local, juntamente com outros tinamídeos, quando tentam cruzar voando os grandes rios, e caem próximo às margens, seja por fadiga ou por chocar-se contra a densa folhagem da mata ciliar.
Sua vocalização consiste em piados graves e esparsos. Não possuem subespécies descritas. A sua postura é de 4 ou 5 ovos de coloração verde azulada intensa. É espécie relativamente abundante em seu habitat, sendo o fator redutor de suas populações, o do desmatamento da Amazônia.

Ficheiro:Tinamus guttatus1.jpg

Inhambu-Pixuna

O Inhambu-pixuna (Crypturellus cinereus), também chamado de inhambu-preto, inhambu-coá ou inhambu-sujo, é um tinamídeo de grande distribuição geográfica na Floresta Amazônica. A espécie habita a mata-de-várzea, capoeiras com árvores esparsas e plantações como as de cacau e café. É ave cinegética.
O inhambu-preto mede entre 29 e 32 cm de comprimento e pesa entre 435 g e 600 g. Não há dimorfismo sexual evidente, sendo a fêmea maior que o macho, e a vocalização daquele, em geral, mais aguda que a da fêmea. Sua vocalização consiste em um longo e agudo piado monotônico.
Essa ave alimenta-se de sementes, frutas e invertebrados, tais como grilos e formigas. A época de reprodução pode decorrer ao longo do ano todo, mas faz-se preferencialmente entre agosto e outubro. O inhambu-pixuna não constrói ninhos, sendo os dois ovos oblongos de cor salmão-violeta, marrom-claro ou escuro, postos entre a vegetação densa. A incubação leva em média 16 dias. A sua plumagem apresenta coloração mimética, que propicia eficaz camuflagem em seu habitat.
Não apresenta subespécies oficialmente descritas (monotípico).
Apresenta adaptabilidade ao cativeiro, reproduzindo-se normalmente no mesmo.

Ficheiro:Crypturellus cinereus.jpg

Sururina

A Sururina (Crypturellus soui), em inglês: Little Tinamou é um tinamídeo, ave de vasta distribuição geográfica, abrangendo as Américas do Sul e Central. No Brasil ocorre no Sudeste, Nordeste à Amazônia. Também conhecido no Brasil, pelos nomes populares: Tururim, tururi, sovi, canela-parda, ferrinho, tururina e inhambu-carioca. É espécie cinegética.
Terrícola, por vezes empoleira-se em galhadas densas para pernoitar, segundo alguns autores. Possui em geral, coloração marrom uniforme, com garganta esbranquiçada. Alimenta-se de sementes, insetos e pequenos frutos. Por sua vasta distribuição, apresenta diversas subespécies ou raças geográficas. Não apresenta dimorfismo sexual aparente; sendo a fêmea pouco maior que o macho, e com vocalizações diferenciadas. Seus ovos são de coloração vinho ou púrpura escuro


Inhambú-Guaçu

O inhambu-guaçu (Crypturellus obsoletus) é um tinamídeo florestal, habitando a floresta atlântica no Brasil em praticamente todos os níveis de altitude, sendo sua presença mais marcante, acima dos 400 m. Na América do Sul ocorrem algumas subespécies. Mede entre 28 e 32 cm. Alimenta-se de sementes, pequenos frutos, insetos e vermes. Ocorre nos estados brasileiros da Bahia (extremo sul) ao Rio Grande do Sul.
É encontrado na mata primária, nos trechos de vegetação densa e sub-bosque, e em matas secundárias. Possui vocalização em escala ascendente fortíssima, sendo a vocalização da fêmea mais longa que a do macho. É uma ave cinegética.
Acasala de setembro a dezembro. Seu ninho no solo é muito pouco elaborado, constituído de algumas folhas secas, sob alguma folhagem ou ao lado de algum tronco; e sua postura consiste em 2 a 3 ovos de coloração rosa-púrpura, incubados num período médio de 19 dias pelo macho.
Apresenta camuflagem eficiente, em tons de marrom-acinzentado, com desenho críptico nas penas traseiras (retrizes). A coloração da fêmea tende a uma tonalidade mais avermelhada. Possui rápido vôo de fuga.
A raça geográfica Crypturellus obsoletus griseiventris, também chamado de inhambu-poca-taquara (foto superior à direita), ocorre no Brasil na região Amazônica; apresentando poucas diferenças quanto ao colorido geral; notadamente o ventre e cabeça mais acinzentados e bico pouco mais longo. Mas de vocalização bem diferenciada, lembrando vagamente a da espécie C. obsoletus obsoletus, do Sudeste e Sul do Brasil.



Jaó

Jaó é uma ave tinamiforme cujo nome científico é Crypturellus undulatus. É típica do Cerrado do Brasil Central. O Jaó e suas sub-espécies habitam matas abertas e cerrados no Brasil.
É ave cinegética. Sua vocalização consiste em 3 ou 4 pios descendentes, sendo as notas finais mais aceleradas. Atende facilmente ao pio do caçador. Alimenta-se de sementes, bagas e invertebrados.
Na Amazônia, habita trechos de floresta aberta, beira de rios. Nessa região é chamado de macucaô. No Sudeste e Sul do Brasil, ocorre o Jaó-do-litoral (Crypturellus noctivagus noctivagus), também chamado de Jaó-do-sul ou zabelê. Habita a Mata Atlântica primitiva, desde o nível do mar, até cerca de 400 m de altitude.

Undulated Tinamou (Crypturellus undulatus)

Inhambú-Relógio

O Inhambu-relógio (Crypturellus strigulosus) em inglês Brazilian tinamou, é uma ave tinamiforme do Nordeste (Pernambuco e Alagoas), onde é chamado lambu-açu, e Norte do Brasil. Mede cerca de 30 cm. Em alguns Estados brasileiros essa designação é dada também a outra espécie, o Inhambu-anhangá (Crypturellus variegatus).
Em suas observações no habitat desta espécie, o ornitólogo José Carlos Reis de Magalhães considerou que o Inhambu-relógio tem comportamentos estranhos e de difícil interpretação. São muito vocais e sua voz é ouvida até nas horas mais quentes do dia, continuamente, desde que o dia seja bem ensolarado. Com a formação de nuvens e a queda da luminosidade, cessam de cantar para só reassumirem essa atividade após a volta da luz solar plena. Sua vocalização consiste num agudo piado, muito longo e com mínimas modulações. É ave cinegética.
Das aves do gênero Crypturellus, é a única com acentuado dimorfismo sexual. Na imagem acima, o exemplar exibido é um macho, sendo que a fêmea distingue-se por apresentar dorso com listras transversais, similares às observadas em Crypturellus variegatus. No entanto, é a espécie de tinamídeo que apresenta menos diferenças entre as vocalizações dos dois sexos, a ponto de serem indistinguíveis aos ouvidos mais treinados, e de não revelarem em sonogramas, diferenças mensuráveis.
Seus ovos são postos em ninhos no solo; sendo quase esféricos e de cor lilás manchada de róseo.
Apresenta adaptabilidade ao cativeiro, reproduzindo-se normalmente nele.

Ficheiro:Crypturellus strigulosus.jpg

Inhambu-de-Pé-Cinza

O inhambu-de-pé-cinza (Crypturellus duidae) é um tinamídeo confinado ás florestas do noroeste da Amazônia colombiana e sul da Venezuela. No Brasil ocorre apenas no extremo norte na região da Cabeça do Cachorro e rio Papuri, afluente do Uaupés. Habita as florestas chuvosas de terras baixas (baixadas) e também matas arbustivas com solo arenoso.
Ocorre numa faixa de altitude de até 500 m aproximadamente. Alimenta-se de sementes e invertebrados. É ave cinegética.
Alguns autores o consideram uma subespécie do jaó-do-litoral (Crypturellus noctivagus), sendo também muito próximo ao macucauá-da-mata ou inhambu-de-perna-vermelha (Crypturellus erythropus), não sendo, porém reconhecida oficialmente nenhuma subespécie em C. duidae. Nesta espécie o dimorfismo sexual é quase que imperceptível visualmente.

Ficheiro:Crypturellus duidae.JPG

Jaó-do-Litoral

O Jaó-do-litoral (Crypturellus noctivagus noctivagus), em inglês: Yellow-legged Tinamou; é uma ave Tinamiforme, que habita a Mata Atlântica no Brasil, entre 0 e 400 m de altitude. Seu habitat típico são as florestas altas de restinga em estado primário, na planície litorânea e estendendo-se às florestas de encostas serranas e de vales de rios, dentro dessa faixa aproximada de altitude. É conhecido também por jaó-do-sul, jaó-da-mata, juó ou juô (litoral do Estado de São Paulo).
Mede entre 32 a 34 cm, alimenta-se principalmente de sementes, pequenos frutos de palmeiras, como Euterpe oleracea, e também os das plantas: tapiá, oiticica, curubixá, cupá; bem como insetos, vermes, aranhas, moluscos e ainda vegetais de folhas tenras, como certas gramíneas e também boa quantidade de grãos de areia.
Sua distribuição geográfica abrange os Estados do ES, RJ, SP, PR, SC e RS. Segundo relatos abalizados, essa espécie apresenta distribuição esparsa e irregular em seu habitat, a floresta atlântica primária; e dentro dele, suas áreas de maior ocorrência pontual seriam nas proximidades de leitos secos de lagoas, recobertos por vegetação rasteira entremeada por gramíneas.
Tem relativa tolerância às alterações antrópicas, sendo observada a sua ocorrência em pequenas áreas de floresta primária, circundadas por pastos e plantações.
Uma característica na reprodução dessa espécie, é a da formação de haréns de fêmeas no período de acasalamento (a exemplo de C. strigulosus), que se reúnem a um macho solitário e dominante.
Fator que contribui para resultados normalmente escassos, obtidos em sua reprodução em cativeiros conservacionistas, em não se dispondo de uma proporção adequada entre os sexos.
O período do acasalamento ocorre de setembro a janeiro, quando então podem ser ouvidas as vocalizações dos machos. Além dessas vocalizações ocorre também um display de acasalamento; onde o macho se aproxima da fêmea em postura ereta com leve agito das asas, e em seguida foge dela por uns 2 metros com as asas meio erguidas, cabeça baixa e penas traseiras eriçadas; a seguir volta-se de frente para ela e reinicia a aproximação.
O ninho é simples, apenas um ajuntamento de folhas secas sobre um leve rebaixo do solo. É geralmente construído aos pés ou entre as raízes tabulares de árvores como as sapopembas, ou moitas como as de gravatás, como exemplos. Sua postura é de 2 a 3 ovos de coloração verde-clara, incubados por 18 dias em média. Por vezes, várias fêmeas fazem suas posturas num mesmo ninho. A incubação é feita pelo macho, que cobre os ovos com folhas secas ao sair do ninho, ocultando-os. Também é o macho que cria e protege os filhotes.

Ficheiro:Crypturelus noctivagus.jpg

Inhambu-Anhangá

O inhambu-anhangá (Crypturellus variegatus), chorão ou chororão (também conhecido no sudeste e nordeste do Brasil - Espírito Santo, Rio de Janeiro e Bahia - como inhambu-codorna, inhambu-relógio e inhambu-onça) é uma ave tinamiforme brasileira, também de ocorrência amazônica.
É uma ave cinegética, sendo atraída e caçada com o uso de pio de madeira apropriado, no período entre setembro e novembro. Sua presença no sudeste do Brasil comprova o fato da floresta amazônica haver se estendido até contato com a floresta atlântica, havendo posteriormente recuado, com o surgimento do cerrado brasileiro, e deixando uma população isolada desses tinamídeos, cujos exemplares apresentam porte levemente maior e vocalização um pouco diferenciada.

Ficheiro:Crypturellus variegatus1.jpg

Inhanbu-Chororó

O Inhambu-chororó (Crypturellus parvirostris), também conhecida popularmente no Brasil por inambuzinho e xororó, em inglês: "Small-billed tinamou". É a menor espécie do seu gênero, medindo cerca de 19 cm. É uma ave de vasta distribuição geográfica no Brasil, habitando campos sujos, capoeiras, plantações e divisas de pastos. Terrícola, alimenta-se de sementes. É ave cinegética. Ocorre ao sul do Amazonas, Pará ao nordeste, sudeste e sul do Brasil, também é encontrado no Peru, Bolívia, Paraguai e Argentina.
Sua vocalização consiste numa seqüência de notas em escala descendente. Adapta-se bem ao cativeiro, tendo ótima capacidade de reprodução, o que favorece ao repovoamento em áreas naturais.
Há pouco dimorfismo entre os sexos, tendo a fêmea o bico vermelho-carmim intenso, e maior porte. O macho tem o bico escurecido na ponta e vermelho esmaecido na base (imagem ao lado). A vocalização entre os dois sexos também é diferenciada.
Sua postura consiste em 4 ou 5 ovos de coloração rósea.



Inhanbu-Xintã

O Inhambu-xintã (Crypturellus tataupa), conhecido ainda no Brasil pelos nomes populares: pé-roxo, bico-de-lacre, chitão ou chororó; e em inglês "Tataupa tinamou". É uma ave de ampla distribuição geográfica no Brasil (habitando o nordeste, centro-oeste, sudeste e sul), Peru, Bolívia, Paraguai e Argentina. Terrícola. Ocupa um biótipo intermediário entre a floresta alta e a capoeira. É ave cinegética. Seu canto consiste numa seqüência de notas rápidas e descendentes.
Seu aspecto e dimensões (aprox. 23 cm) situam-se entre as do inhambu-chororó (Crypturellus parvirostris) e as do inhambu-guaçu (Crypturellus obsoletus). Alimenta-se de sementes e insetos. Apresenta resistência às alterações antrópicas em seu habitat. Adapta-se bem ao cativeiro, reproduzindo-se com relativa facilidade.


Codorna-Pequena

A codorna-buraqueira (Taoniscus nanus), também conhecida como: Inhambu-carapé, codorninha, carapé, perdizinha e perdigão. O termo "carapé" vem do tupi, significando anão.
Este é o menor representante conhecido da família dos Tinamídeos, com o tamanho variando de 14 a 16 cm e peso entre 43 e 46 g. Sendo encontrado em regiões de cerrado e campos naturais; havendo relato de sua ocorrência também para as bordas de florestas secundárias.
Essa espécie apresenta diferentes tonalidades de coloração em sua plumagem, que vão do ocre-rosado ao ocre-acinzentado, apresentando um padrão aproximado ao das codornas (Nothura) e da perdiz (Rhynchotus). De hábitos terrícolas, Taoniscus nanus busca refúgios em buracos ou tocas de outros animais, para se ocultar de predadores como o falcão-de-coleira (Falco femoralis) e o gavião-de-rabo-branco (Buteo albicaudatus). Não há informações disponíveis sobre os aspectos reprodutivos desse tinamídeo na natureza, consta apenas que seu período de reprodução se dá nos meses de setembro e outubro. Exemplares mantidos em cativeiro apresentaram postura de três ovos.
É onívoro, e sua alimentação é constituída de pequenos invertebrados como pequenos artrópodes, cupins, e de sementes. Essa ave ocorre em altitudes entre 700 e 1000 metros. Sua vocalização é bem diferenciada da de outras espécies de tinamídeos campestres, como as das codornas Nothura maculosa e Nothura boraquira.
Os Tinamídeos campestres em geral, apresentam uma melhor capacidade de vôo em comparação às espécies florestais; mas em Taoniscus nanus ocorre o contrário, pois o mesmo estaria perdendo sua capacidade de vôo; sendo esse vôo muito curto, quase um salto alongado. As observações em campo são difíceis, devido ao pequeno tamanho dessa ave, quase sempre oculta pela vegetação. Essa espécie também é comumente confundida com os filhotes de outras espécies de Tinamídeos.
Sua pressuposta distribuição geográfica no Brasil abrangeria os estados de São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Goiás, Distrito Federal e Mato Grosso do Sul. Também encontrada na Argentina. Considerada em via de extinção devido às alterações antrópicas em seu ambiente natural, consta da lista oficial das espécies em extinção no estado de São Paulo. Mas as naturais dificuldades para sua observação em estudos de campo concorrem para a possível inexatidão dessa classificação.
A espécie carece de expressiva documentação fotográfica e comportamental.
Exemplares mantidos em cativeiro apresentam comportamento manso, e de relativa adaptação ao mesmo.



Codorna-Buraqueira

A Codorna-buraqueira (Nothura minor) em inglês Lesser Nothura é uma ave brasileira tinamiforme, de até 19,5 cm. Também conhecida pelos nomes de codorna-mineira e buraqueira. Habitante dos cerrados e campos sujos; ocorrência de Minas Gerais a São Paulo, Goiás e Mato Grosso.
Não é vista desde cerca 1992, podendo-se considerá-la espécie em via de extinção. É espécie cinegética.

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